25 de janeiro, 2017 - 00h00 - por Gustavo Aguiar

"Búfalo" é o novo álbum de Pratagy

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O disco, que foi lançado hoje em várias plataformas online, é o segundo de Pratagy, artista que coloca o pop do Pará no hall experimental

Foto: Pedro Rodrigues

Dividido em três estúdios caseiros da capital paraense, as sete faixas de “Búfalo” trafegam entre o orgânico e o eletrônico, com referencias que transformam o disco em um passeio pop experimental por ritmos, histórias e construções musicais, no mínimo, inovadoras, se compararmos à nova geração da música paraense que vem se formando nos últimos anos. MPB e dream pop passeiam juntas, num background de vivencias com sotaque nortista, sentimentos ora pesados, ora imersos em águas doces de uma nova paixão. O álbum chega às principais plataformas de streaming nesta quarta-feira, 25 de janeiro, para audição gratuita.

Leonardo Pratagy, que assumiu durante quatro anos o baixo, vozes e composições da Zeromou, não vê o seu disco como um trabalho “solo”, percebendo a importância que vários músicos e artistas tiveram na produção deste álbum. Ele assume sintetizadores, teclados, baixo elétrico, guitarra e voz e convida Bruno Azevedo pra assumir baterias e percussões, Rubens Guilhon assume as guitarras em “Trama Sutis” e “Combu Love”, Daniel Lima tocou violinos em “Tramas Sutis”, Andro Baudelaire imprime vocais em “Way Back Home” e Maria Rosa Lima emprestou os vocais que passeiam por todo o disco. “No fim das contas ‘Búfalo’ é especial porque todo mundo, tanto da música quanto do visual, meio que trabalhou e pensou junto na cara que a coisa deveria ter no final, ele só existe graças a muitas mãos e cabeças que fizeram o trabalho acontecer” explica o artista, que subiu ao palco do Festival Se Rasgum em 2016 junto de sua antiga banda Zeromou.

Além de Pratagy ter gravado parte do disco em seu próprio quarto, “Búfalo” passou ainda por dois home studios importantes para a cena independente paraense: Ataque de Baleia, do músico e produtor Diego Fadul da banda Aeroplano, e Abbey Monsters de Andro Baudelaire, músico integrante da Vinyl Laranja e The Baudelaires, produtores que enxergam no trabalho de Pratagy o frescor de uma nova cena autoral no estado.

“Pude perceber uma preocupação em contextualizar a natureza universal da música pop/ alternativa que é natural pra ele, com aspectos mais brasileiros e regionais. É uma tendência nacional muito atual. As músicas guardam em si uma agressividade, seja em uma nota no baixo que soa estranha mas que está no campo harmônico, seja na letra maravilhosa de "Tramas Sutis", na brincadeira emulando a chegada de alguém em um Superpop da vida em ‘Búfalo’. Leo é um menino muito inteligente pra idade dele, principalmente por saber contar com outras pessoas pra fazer um trabalho bem sucedido”, analisa Diego Fadul.

“Acho que ele traz elementos diferentes tanto em estilo como em sons pra música.   Algo que não tá sendo feito também por aqui (Pará). Ele mixa vários estilos dentro do trabalho dele, com um bom gosto melódico exemplar. Achei muito groovy, melodia, teclados, linhas de baixo excelentes. Minhas favoritas são ‘Búfalo’ e ‘Tramas Sutis’ (parece um clássico dos anos 70/80 feita hoje) e ‘De repente’ tem uma linha de baixo invejável”,  elogia o músico Andro Baudelaire.

“Búfalo” traz para o público a possibilidade de experimentar um estranhamento pop que foi baseado na liberdade: de composição, produção musical, de conceitos e sem se prender à uma lógica comercial, que ironicamente é a marca do cenário pop musical. Mirando em trabalhos de nomes como Erlend Oye, Phoenix, Toro y Moi, Air e as brasilidades das décadas de 70 e 80 feitas por Marina Lima, Erasmo Carlos e Hyldon, e gravando letras de Arthur Nogueira e Ana Cecília Santos, Pratagy também traz um jeito diferente de lançar e consumir música. Os dois discos solo já feitos: Pictures (2016) e agora “Búfalo” (2017), que têm sete músicas cada, foram lançados dentro de 6 meses e, juntos, formam um disco cheio com 14 faixas e 40 minutos, contemplando os que gostam de pequenos álbuns e/ou de grandes viagens.

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Capa do disco "Búfalo", colagem feita por Maitê Gentil e Maria Rosa Lima

Refletindo sobre o seu trabalho, um disco que imprime amor e boas relações humanas, Pratagy argumenta: “como diz Henry Miller ‘Enquanto estiver faltando aquela centelha da paixão, não há significação humana no ato’. A natureza tem essa coisa bonita de força que eu quis dizer quando nomeei o disco como ‘Búfalo’ - ser forte como um, determinado, mas entender que fazemos parte da natureza e que devemos respeitá-la e agradecer às pessoas que estão ao nosso redor”, finaliza.

 

“Búfalo”, de Pratagy, pode ser ouvido no Spotify. 


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