04 de novembro, 2014 - 00h00 - porKarina Menezes

Festival abraça rock paraense dos anos 2000

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         Uma das épocas mais inspiradoras do rock autoral paraense, os anos 2000 são virados e revirados com muito amor por quem teve a oportunidade de viver esse período. Ainda hoje, qualquer pessoa corre o sério risco de se apaixonar por Marisa Brito, da  banda A Euterpia, uma voz doce que canta sobre amizades e um horizonte que está à espera, “mesmo que o verde seja falso, que o cinza prevaleça”. Ou corre o risco de cair de amores por um Stereoscope que transforma em música as decepções amorosas da vida, as dúvidas sobre o momento certo de se calar e partir. Entre tantos nomes, ainda temos Johny Rockstar, Ataque Fantasma, Eletrola. Impossível esquecer bandas que se comunicavam de forma tão natural com o público.

      Talvez seja por isso que essa época deixe tanta saudade -  a comunicação com os fãs era simples. Eram músicas simples para momentos complicados. E para momentos igualmente simples. Os arranjos eram poderosos - as letras, fáceis de serem gravadas. Fáceis de serem colocadas em um pedaço de papel, cantaroladas na rua ou em um show no Memorial dos Povos. “Sentir nostalgia é bom. Significa que viveu boa experiência com determinado acontecimento, com determinadas coisas, situações. Comigo não seria diferente”, diz o produtor Andrey Monteiro. É dele a ideia do Festival Mini Rock, que toda quinta-feira, no Old School Rock Bar, reunirá bandas paraenses de power pop que fizeram sucesso nos anos 2000, e que até hoje povoam nosso imaginário.

       Andrey percebeu que Belém tem vivido um revival musical, não somente no rock, como na guitarrada e no brega, por exemplo. Em julho, trabalhando como promoter da Quintarrada junto a Félix Robatto e Marcos Guerreiro, ele ficou com a ideia de resgatar mais artistas e composições do passado. Na primeira edição do Mini Rock, que acontece nessa quinta (06), as atrações são Suzana Flag, banda de Castanhal,  e The Tump, duo de eletro rock que tem feito sucesso pelas batidas e riffs hipnotizantes dos baixistas Bárbara e Alex Morreu. “A escolha foi simples, a história do Suzana Flag está diretamente ligada ao boom de bandas autorais que rolou ali no início dos anos 2000”,  diz Andrey. Já o "The Tump”, segundo ele, é fruto direto da filosofia do it yourself deixada pelas bandas paraenses de uma década atrás.      

      Com Susanne May no vocal, Joel Melo na guitarra, Andrey Caldas no baixo e João Ricardo na bateria, a banda castanhalense Suzana Flag pretende reviver os bons momentos que sempre passa com os fãs. “Vamos fazer o que fazemos de melhor no palco, que é nos divertir, cantando nossas músicas com nosso público”, diz Susanne. “Porque é isso que faz a gente feliz”, completa. Com dois discos gravados, Fanzine e Souvenir, a banda trabalha em um terceiro álbum, que deve ser lançado ano que vem.  A Suzana Flag é uma das principais representantes da época em que várias bandas de rock paraenses tinham o sonho de serem reconhecidas nacionalmente. Para Susanne, a maior inspiração do grupo vinha dos momentos vividos por eles em suas apresentações. “Era muito intenso o encontro com as pessoas que estavam nos shows, a ponto de sairmos do palco e confraternizarmos aquele momento que seria único e eterno”.

        A chamada “era de ouro” do rock paraense fincou raízes em muita gente, como no caso dos baixistas Bárbara e Alex Morreu, do The Tump. O duo não tem influência musical direta dos grupos desse período, mas traz no coração o Stereoscope (“nosso baixista favorito de todos os mundos é o Ricardo Maradei”, diz Bárbara) e Suzana Flag. Para Bárbara, a banda castanhalense trouxe a chance do rock paraense se redescobrir. “As bandas iniciantes começaram a ver alternativas. Que era possível fazer música autoral, vender discos, tocar nas rádios, ter público”. Com um long play lançado recentemente pelo selo da Discosaoleo, o The Tump prepara novidades com a ajuda de um produtor e amigo. Sobre qual álbum da Suzana Flag o duo prefere, a baixista responde - “O Alex acompanhou de perto tudo o que rolou na cena. Talvez por isso, goste mais do Fanzine. Gosta e sabe cantar todas as músicas. Eu fico com Souvenir, apesar de gostar de várias músicas do Fanzine também”.

      O Festival Mini Rock #1 acontece nesta quinta (06), às 22h, no Old School. Os ingressos são limitados e custarão R$10 na bilheteria do local entre 19h/21h e R$15  a partir das 21h. Para quem quiser aquecer, seguem os links dos álbuns do Suzana Flag e o Soundcloud do The Tump. Também recomendamos o documentário Rádio 2000, filmado em 2013, sobre Eletrola, Stereoscope e Suzana Flag, três das bandas que arrastaram fãs apaixonados nos anos 2000. O Mini Rock é uma iniciativa que surge para ajudar a manter viva a memória, incentivando que mais projetos musicais novos sigam o caminho do “faça você mesmo”, máxima que imperou durante esse período que deixa tanta saudade. No fim das contas, o rock paraense continua tão ou mais agitado quanto há dez anos, com as mesmas caras e caras diferentes, com experimentações novas e o mesmo suor de sempre. É como o Andrey mesmo disse . "O movimento nunca parou, apenas saiu dos holofotes". 

DOWNLOAD DISCOS SUZANA FLAG: 

FANZINE: 
 
 
SOUVENIR: 
 
 
SOUNDCLOUD THE TUMP:
 
 
SERVIÇO: 
 
Festival Mini Rock #1
 
Data: 06 de novembro de 2014 (quinta)
 
Hora: A partir das 22h
 
Local: Old School Rock Bar - Avenida Antônio Barreto, 196

Ingressos: R$10 na bilheteria do local, de 19h às 21h. R$ 15, a partir das 21h. 

 
 

 


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