04 de abril, 2014 - 00h00

Entrevista: The Mullet Monster Mafia

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Trio paulistano de surf music é um dos destaques da programação do 11º Mongoloid Festival, realizado hoje (4), em Belém.

O trio de surf music The Mullet Monster Mafia foi formado em Piracicaba, interior de São Paulo. Quem sabe a distância da praia explique o som mais pesado, diferente da ensolarada surf music dos anos 1950? “Foi a monotonia de cidade do interior, que levou a gente a montar uma banda pra se divertir. Nós já tínhamos anos de estrada quando resolvemos fazer a banda, tocando em banda punk, de metal. E um ponto em comum, que acabou juntando todos esses estilos diferentes, foi a surf music”, revela o guitarrista Ed Lobo Lopez.
 
Formada ainda por Emiliano Ramirez na bateria e Marcondez Verniz no baixo, The Mullet Monster Mafia estreou em 2009 com o EP “Power Surf Orchestra”. O primeiro álbum também marcou o primeiro ensaio da banda, já que foi preparado às pressas para poder servir de cartão de visita no show de estreia da banda no Psycho Carnival, festival realizado em Curitiba (PR). Nas quatro faixas do disco compostas de improviso já podia-se perceber a marca registrada da banda: a reverência ao estilo acelerado do americano Dick Dale, guitarrista que renovou o gênero nos anos 1970, mais conhecido pela música  "Misirlou", presente na trilha sonora do filme “Pulp Fiction”.
 
Em sua primeira apresentação por Belém durante o 11º Mongoloid Festival, o grupo apresenta o inédito “Adrenaline Explosion”, quarto álbum da carreira, lançado este ano. No bate papo a seguir, Th Mullet Monster Mafia fala do novo disco, conta um pouco da história do surf music e da guinada que o estilo vem dando no Brasil nos últimos anos. Aloha!
 
P - Vocês afirmaram em uma entrevista que “diferente das bandas de surf music que seguem uma linha tradicional, muito ligada ao começo do gênero na década de 60, tentam emular com o som de vocês o que foi o impacto de um Dick Dale pro estilo quando surgiu nos anos 70”. Tendo isso em vista, que tipo de som é esse que o Mullet está atrás? Que influências ele traz? E já que ele se afasta da linha mais tradicional, ele pode ser considerado surf music mesmo assim?
R - Com certeza nossa música é surf music, só que tocada de uma forma contemporânea. Hoje a música é bem mais rápida e pesada do que nos anos 50, 60 e isso se reflete quando se vai tocar um estilo criado há décadas. O surf music está tão atual quanto na época em que foi criado, o estilo vai se renovando.
 
P – Fale um pouco também do cenário nacional do gênero no Brasil. Porque na última década vemos uma leva de bandas de surf music, coisa que a gente não via desde o começo do rock no país?
R - Na verdade o Brasil já viveu uma grande época com a surf music, nos anos 60, com grupos como o The Jordans. Mas eu creio que a gente nunca teve tanta banda de surf music espalhada pelo país, não que hoje exista uma cena, porque não há cena de surf music, o estilo acaba sendo aceito em vários nichos do rock’n’roll. É uma música de guitarra e guitarra é rock. Mas creio que não exista o cara que só curte surf music, mas é um estilo que agrega vários outros estilos por sua aceitação.
 
P – Como trabalham com um ritmo retro, que a reverência ao passado é uma das principais características, vocês procuraram resgatar a história do gênero no Brasil? Ou ainda a base das referencias da banda é americana? Existe uma escola de surf music brasileiro? Qual seriam suas características?
R - Eu acho que a gente acaba mostrando quando o som do passado se encontra com as bandas do presente. A gente busca a nossa própria surf music: que as vezes a gente chama de power surf, de surf thrash lenha. Já o início da história da surf music no Brasil se mistura um pouco com a Jovem Guarda, que já num é muito a nossa praia. Hoje em dia há muita banda de surf boa no Brasil e por toda a parte, mas infelizmente a gente ainda não tem um festival específico que possa mostrar a quantidade e qualidade da surf music brasileira. Então, quem gosta do gênero conhece, mas creio que num dá pra falar ainda numa escola, porque as bandas ainda estão muito isoladas. Hoje há muitas bandas boas de surf music e festivais do estilo na Europa.
 
P – E em relação à música instrumental, significa que existe uma aceitação maior também? Vocês costumam a agregar públicos diferentes do público rockabilly, psychobilly, por tocar instrumental?
R - Não por tocar instrumental, mas por tocar surf music a gente agrega os rockabilly e psychos, sem dúvida. Mas quando se fala em música instrumental muita gente já torce o nariz, mesmo sem conhecer. Mas quando a gente toca, vejo diferentes tipos de pessoas gostando da música e se surpreendendo da banda não ter vocal. A música acaba agradando mesmo sem ter vocal porque ela não precisa de um vocal e não é o tipo de banda que os músicos querem mostrar todos seus dotes musicais. As pessoas associam muito a música instrumental com virtuosismo dos músicos. E na surf music isso não acontece.
 
P – Fale um pouco de “Adrenaline Explosion”, seu mais recente álbum. Existe um tema permeando o disco, por exemplo??
R - O disco tenta passar a pegada da banda ao vivo. O álbum foi gravado ao vivo, tipo um ensaio no estúdio, mandamos a maioria das músicas de primeira. E não tem nada adicionado posteriormente em pós produção. A maioria das músicas do disco são regravações de antigas músicas que tinham trompete e que a gente ainda toca hoje em dia, mas em trio. Tem alguns arranjos diferentes e a pegada é outra. Achamos legal registrar essa mudança.
 
P – Já ouviu falar da guitarrada do Pará? O estilo instrumental baseado no solo de guitarra e misturando ritmos caribenhos já foi comparado por bandas como Dead Rocks como o surf music da Amazônia. Acha que outros ritmos instrumentais brasileiros podem combinar com o suf music? Isso é feito em outros países.
R - Lógico que conheço a guitarrada, tenho o disco do La Pupuña. Nós tocamos no mesmo festival, o Primeiro Campeonato Mineiro de Surf, em Belo Horizonte. A guitarrada e a surf music são duas vertentes da guitarra totalmente compatíveis. Dá pra fazer surf music em cima da guitarrada e a guitarrada deita e rola na surf music. Na música dá pra se misturar tudo o que quiser, agora se vai ficar legal é outro papo. Creio que no mundo inteiro as pessoas tentem misturar diferentes tipos de música.
 
SERVIÇO
O 11º Mongoloid Festival será realizado hoje ( 4), às 20h, no Red Pub (Av. Senador Lemos 252 B, esquina com a Av. Alm Wandenkolk). Na programação: Molho Negro, Vjölenza, Manduca Na Roça, O Lendario Chucrobillyman (PR), Mullet Monster Mafia (SP) e Merda (ES), além de DJs Igor Ribeiro e Dance Like Hell. Ingressos: R$ 25, antecipados, e R$ 30, na porta. Posto de vendas: Xani Club, na avenida Nazaré, 441, e Abunai Shop, que fica na avenida Presidente Vargas, Galeria Comercial, 560. Contato: 83831757. Acesse: http://goo.gl/Z5Z4lR.


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