O jornalista paraense Ismael Machado avalia o 4º Festival Se Rasgum.
“Bem-vindos à noite do caos na Se Rasgum.” Foi dessa forma que o vocalista Jayme, da veteraníssima banda Delinqüentes, saudou o público que se espremia à beira do palco interno do African Bar. Era a última noite do Festival Se Rasgum. Era a noite mais convencional, se é que se pode dizer isso. E foi uma das noites mais intensas das três que marcaram a quarta edição do Festival.
Camarada esperto, que sabe das coisas, Jaime já havia dito que preferia o palco pequeno. Nele é possível aquele tipo de interação com o público que tanto diferencia os Delinqüentes das demais bandas de Belém. A banda penou com um som que embolou logo no início, mas compensou com a garra típica de uma banda que nunca sobe ao palco acomodada. Jaime terminou a apresentação literalmente nos braços do público.
A apresentação de Delinqüentes foi um exemplo, mas não o único, de que esse foi o festival dos artistas paraenses. Alguns dos melhores momentos das três noites foram protagonizados pela moçada local.
Exemplo número um. Gabi Amarantos engolindo o Bonde do Rolê. Tidos e havidos como sensação mundial, o que dizer das duas meninas de guinchinhos estridentes e sem o menor sex appeal perto da voluptuosidade de Gabi?
Mesmo para quem não suporta muito ficar ouvindo tecnobrega- e me incluo nesse rol- não dá para ignorar que todas as mazelas de produções raquíticas dos discos de tecnobrega e suas variantes são devidamente compensadas com shows absurdamente energéticos. Foi assim na edição do ano passado com DJ Maluquinho e foi assim com Gabi e seu Tecnoshow.
Gabi tem voz. Tem presença de palco. E é uma negona gostosa, vamos combinar. Com um vestidinho preto que mataria de inveja aquela lourinha que quase foi expulsa da Uniban, ela preenche o palco, domina a cena. Ouvi do DJ Patrick Torquato: “É como se fosse uma Beyoncé paraense”. Eu já me atrevo a umas insanidades comparativas. Me lembra o rasgo de voz da Elza Soares em alguns momentos, com o jeitão da Tina Turner nos anos 70. Peitinhos de fora das meninas do Bonde do Rolê? Fico com aquele par de coxas da Gaby.
Exemplo número dois. A banda mineira Radiotape fazendo um show insípido, esquecível, assim como o fora daquela outra banda Dead Lover’s Twisted Hearts. Antídoto para ambas? Johny Rockstar. Celebração pura de um power pop quase perfeito. Ouso dizer que o JRS é quem segue bem os passos deixados pelo Eletrola e quem se pareia com o Suzana Flag na confecção das canções pops agridoces. Agora, só gostaria que alguém me respondesse: “Alcalina” é propositalmente tirada de Locomotion, do Grand Funk Railroad, ou é uma inocente coincidência? A semelhança é absurda.

Consagração: Delinqüentes agitaram o público em um dos shows mais porradeiros do domingo do Festival
Exemplo número três em dose dupla. Delinqüentes e Stress. Uma veio antes e outra depois do Matanza. E quer saber? Quem precisa do Matanza com essas duas bandas afiadas? O vocalista Jimmy vem com aquela cara de “meto a porrada”, isso e aquilo, mas lá no fundo, parece menino mimado de apartamento. Enquanto isso, as duas bandas paraenses mostraram como se fazem clássicos. E o Stress não se furta, nem se peja, de usar todos os clichês do heavy metal. E diverte. Muito.
Exemplo número quatro. Pinduca. Se por acaso alguém chegou a duvidar que daria certo, perdeu a aposta. Pinduca subiu ao palco com uma baita banda, com tudo a que tinha direito como o autoproclamado rei do carimbó. Fez até mais do que isso. A versão de “La Bamba” foi a ponte que ele imaginou com a geração do rock. Nem precisava.
O carimbó foi bem lembrado por Pato Fu, que tocou “Sinhá Pureza” e pelos Delinqüentes com a versão porradeira de “Pescador”.
Mas como escrevi para o Diário do Pará, numa brincadeira bem-humorada, se fosse possível resumir o festival, diria que saiu o sambinha esbranquiçado, meio açaí de um real, de Manacá, Do Amor, Wado e Curumim e entrou o pancadão. O batidão. Teve uma variedade danada disso.
Foi assim na mistura de dub, ragga e um monte de coisa mais de Pro.Efx e Arcanjo Ras; foi um pouco assim nos delírios reggae de Juca Culatra (afiadíssimo no palco) ou mesmo em Gabi Amarantos – e seu Tecnoshow- e no Bonde do Rolê.
No segundo dia esses ecos sonoros também se fizeram presentes na Música Magneta, o projeto de Pio Lobato e DJ Dolores e no Digital Dubs, com B Negão e Ras Bernardo mandando ver. E num dos grandes shows do festival, o da Comunidade Nin-Jitsu, que botou peso guitarreiro no batidão. A apresentação do Música Magneta me soou um tanto quanto irregular. A primeira parte é instigante. A segunda, com Mestre Vieira, quebra a liga.
Vieira é fodaço. Mas nesse caso, vejo que, ou é ele e uma banda acompanhando simplesmente, ou é o Música Magneta, que me parece querer alçar outros vôos. É uma sensação estranha que me fica.
Mais estranha ainda é a sensação causada pela Nação Zumbi. É complicado falar mal da Nação Zumbi. Como bem disse o Vlad, muito daquela mistura musical que pareceria esdrúxula à primeira vista e que acabou soando coesa se deve ao que a Nação Zumbi fez há mais de 15 anos. Mas, se a avaliação for feita de forma desapaixonada, o que se vê é que é o repertório antigo que segura a banda. Próximo a mim, no momento da apresentação da banda, um carinha diz que gostaria de ter visto aquilo com Chico Science. Pois é… Vocalistas carismáticos são quase impossíveis de serem substituídos (cuidado Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá com o que pretendem fazer).
Dá pra agitar no show da Nação Zumbi? Claro que sim. Mas o gostinho lá no fundo é mais de memória emotiva geracional do que propriamente do efeito banda hoje.
Houve muitos outros shows compensatórios no festival. Markus Ribas aparentemente pareceria deslocado. Não o foi. Fez um samba-jazz-bossa nova classudo, com músicos que mostram o quanto vale a pena os cabelos brancos. Encantou.
Mas algumas apresentações me pareceram derivativas demais. Talvez seja apenas uma questão de gosto pessoal, mas bandas paraenses cantando em inglês me parece um retrocesso danado àquela época em que as bandas cortaram o cabelo em franjas e desandaram a querer ser My Bloody Valentine ou Jesus & Mary Chain. Bandas como Killing Chainsaw ou Pin Ups no início dos anos 90. Torço para que isso seja uma tendência passageira.
E duas bandas merecem comentários à parte para encerrar esse texto que está se alongando demais. A banda uruguaia Hablan por La Espalda e as Velhas Virgens mostraram que, como diz o Vlad, a questão não é ser rock ou não. A questão é ser bom ou ruim. E essas duas bandas, presentes na última noite, mostraram que qualidade sempre faz diferença.
Hablan por La Espalda é rock safra 12 anos, aquele tipo de sonzeira que se vê em Santana, em Doors, em Deep Purple, em Lynyrd Skynyrd, em Faces, Mountain e vários etc. Som viajandão, bem feito, bem executado. Deixou muita gente de boca aberta.
E por fim… vamos lá macharada. Em tempos de excessos de bandas emos e bandas sensíveis, um pouco de sexismo, sacanagem, riffs básicos, patifaria e muito álcool chega a se tornar obrigatório. Velhas Virgens coroou de forma perfeita o ciclo do Festival esse ano. É aquilo que escrevi pro jornal: “Velhas Virgens meio que mostrou aos emos que ainda circulavam pelo pedaço com quantos bons riffs se faz um rock. Batidão? Pancadão? Ok, ok…mas nada como um rockão para desopilar no final. Alguém discorda?”.

[...] This post was mentioned on Twitter by gafieiras and Dançum Se Rasgum, Raquel Sobral. Raquel Sobral said: RT @SeRasgum: "O festival dos artistas paraenses" – O jornalista Ismael Machado avalia o 4º Festival Se Rasgum! http://is.gd/516B2 [...]
se critico musical aprendesse um unico acorde antes de tentar falar do q sabe nosso mundo musical seria muito melhor…se critica fosse bom…n seriam só mais um….temos q valorizar quem rala e faz um trabalho autoral sendo ingles, espanhol ou portugues pois a musica é a linguagem universal…e n dar ouvidos pra essa galera q só sabe falar do trabalho dos outros….Viva o rock paraense sendo em qualquer lingua pois as bandas q estavam lá deram um show !!! ou se vc prefirir continuem lendo esses babacas….
se critico musical aprendesse um unico acorde antes de tentar falar do q NÃO sabe nosso mundo musical seria muito melhor…se critica fosse bom…n seriam só mais um….temos q valorizar quem rala e faz um trabalho autoral sendo ingles, espanhol ou portugues pois a musica é a linguagem universal…e n dar ouvidos pra essa galera q só sabe falar do trabalho dos outros….Viva o rock paraense sendo em qualquer lingua pois as bandas q estavam lá deram um show !!! ou se vc prefirir continuem lendo esses babacas….
questão de opinião macedo. Ah…e sei uns três ou quatro acordes..o mundo musical vai ficar melhor então…