Diretamente do Rio de Janeiro, o quarteto Leela se apresenta pela primeira vez em Belém ao lado de dois destaques da terceira edição do Festival Se Rasgum, dia 15, no African Bar
Um dos grandes representantes do novo pop brasileiro se apresenta pela primeira vez em Belém. Leela, do Rio de Janeiro, toca no African Bar neste sábado (15) numa festa que traz ainda duas grandes revelações do III Festival Se Rasgum – Destruidores de Tóquio e Seqüestrodamente – ao lado do Turbo, que se destacou nas duas primeiras edições do festival. Além das quatro apresentações, a festa ainda contará com a discotecagem dos coletivos Meachuta!, This is Radio Trash e Pogobol, que se revezarão nas picapes da boate refrigerada do African Bar.
LEELA - Depois de figurar na concorrida trilha sonora da novela teen “Malhação” e da indicação de Melhor Álbum de Rock Brasileiro no Grammy Latino de 2005, a banda Leela lança seu segundo disco, “Pequenas caixas”, e percorre o Brasil em turnê para apresentar as canções do novo trabalho e alguns hits do primeiro disco, como “Te procuro”, “Odeio gostar” e “Romance fugitivo” – parceria da vocalista Bianca Jordão com Fausto Fawcet. Ao lado de Fawcet, Bianca também compôs “Um beijo pede bis”, “Delirium”, “Amor barato” e “Mundo visionário”. Além de Bianca Jordão, que assume o papel de bandleader do quarteto no vocal e guitarra, o grupo ainda conta com Rodrigo Brandão (guitarra e voz), Tchago Kochenborger (baixo e voz) e PHD Ronzoni (bateria).
FESTA – Além da apresentação do Leela, o show ainda conta com o rap misturado com sons latinos do Seqüestrodamente, o rock ‘n’ roll dos Destruidores de Tóquio e o hard-power-pop do Turbo, que esteve afastado dos palcos nos últimos meses. Na boate, estilos que vão do indie a eletro-clash, psychobilly, garage, punk e rock ‘n’ roll com a discotecagem dos convidados.
SERVIÇO
Ressaca do Festival Se Rasgum, dia 15 de novembro (sábado) no African Bar (Praça Waldemar Henrique, s/n), com Leela (RJ), Destruidores de Tóquio, Turbo e Seqüestrodamente, mais DJs Meachuta!, Pogobol e This is Radio Trash. Ingressos a 15 dinheiros ou 10 (com flyer). Começa lá pelas 22 horas.
Uma das maiores revelações do III Festival Se Rasgum, Montage volta a Belém para comemorar os cinco anos de Dançum Se Rasgum Produciones, na Mystical, dia 1º de novembro
Música eletrônica misturada com rock, funk, luxo e polêmica. É o Montage que retorna a Belém para o aniversário de cinco anos de Dançum Se Rasgum Produciones, dia 1º de novembro, na Mystical. Além da apresentação de um dos shows mais explosivos e uma das maiores revelações da terceira edição do Festival Se Rasgum, a festa ainda conta com a discotecagem dos DJs Se Rasgum e a moçada parceira da Meachuta!, além da promoção de quatro longnecks por 10 dinheiros.
Desde 2003, as festas da Dançum Se Rasgum Produciones chegaram para provocar no público uma reação diferente na noite de Belém. De uma pequena festa libertadora para 100 pessoas, os eventos chegaram a abrigar mais de 800 pessoas numa única noite. Depois, veio a ousadia de trazer bandas de fora e montar um festival. Agora chegou a hora de comemorar esses cinco anos de insistência em grande estilo, colocando o eletro-rock divertido do Montage, uma das maiores revelações nacionais, que volta a Belém para uma única apresentação.
Montage – A dupla formada por Daniel Peixoto e Leco Jucá ganhou o cenário independente do Brasil após apresentações anárquicas, polêmicas e marcadas pela rasgação e escândalo sonoro influenciado por Madonna e Sex Pistols. Montage é a primeira banda de eletro rock do Nordeste brasileiro e foi citada pela revista BIZZ como a banda que faltava há, no mínimo, 18 anos. Seu show foi eleito o “melhor do Brasil” pela da Folha de S. Paulo em 2005 e 2006.
O Montage Participou de festivais como Abril pro Rock, Machina Festival, Ceará Music, Goiania Noise e das duas últimas edições do Campari Rock dividindo palco com bandas como Justice, Supergrass, Stereo Total, Neon Judgment, The Cardigans e Gang Of Four.
SERVIÇO: Cinco anos de Dançum Se Rasgum, dia 1º de novembro, sábado, a partir das 22h, na boate Mystical (Dr. Assis com Tamandaré, Cidade Velha), com show da banda Montage (CE) e DJs Se Rasgum e Meachuta! Ingressos: 20 dinheiros ou 15 dinheiros com flyer. Quatro long necks saem por 10 reais!
Sim, o site do III Festival Se Rasgum, desenvolvido pela Libra Design para a Dançum Se Rasgum Produciones, está no Top Rated do CSS Star no sistema de votação popular. O CSS Star é um repositório dos melhores sites desenvolvidos em CSS em todo o mundo.
Trampar com os Libras é só felicidade. Palmas para Bernardo Magalhães, Mariano Jr, Renmero Rodriguez e colegas de segundo andar.
Um dos maiores DJs do Brasil se apresenta dia 17, sexta-feira, no Café com Arte, com os DJs Se Rasgum e Vinicius Cohen
Um passeio pela world music nas mãos de um dos DJs mais criativos do Brasil. Nesta sexta-feira, 17, DJ Dolores se apresenta junto com a Dançum Se Rasgum Produciones no Café com Arte em Belém. A festa ainda terá os DJs da Se Rasgum (Marcel, Damaso, Gustavo e Konsiderado) e o Live PA de Vinicius Cohen. E para não deixar de presentear a rapaziada com promoções de arder o fígado, teremos mais uma vez as quatro long necks por 10 dinheiros a noite toda.
DJ Dolores - Surgido do meio do alvoroço do Mangue Beat, Hélder Aragão ficou conhecido mundialmente como DJ Dolores, consagrado por suas fusões de música eletrônica com ritmos regionais (como no CD “Aparelhagem”) e sets que circulam freqüentemente pela Europa.
Sergipano criado em Pernambuco, Dolores começou sua carreira como designer criando a programação visual do movimento Mangue Beat, junto a Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Na mesma época, começou a atuar como DJ e a fazer trilhas para espetáculos de teatro e dança. DJ Dolores já se apresentou em diversos festas de música mundo afora e dividiu o palco com artistas como Bjork, Moby, Chemical Brothers e Elvis Costello.
Para completar o clima de festança, o bar do Café com Arte venderá quatro long necks por 10 dinheiros a noite toda. A festa terá todos os ambientes do Café com Arte funcionando, com DJs no porão, galeria e na pista principal. Seis DJs e todos os estilos musicais possíveis ecoando pelos quatro cantos do Café dom Arte.
SERVIÇO
DJ Dolores na Se Rasgum. Sexta, 17, no Café com Arte (travessa Rui Barbosa, 1437). A festa ainda terá os DJs Se Rasgum, Vinicius Cohen Live PA e promoção de quatro long necks por 10 reais. Ingressos: 10 dinheiros até 23h30, depois são 15 dinheiros.
O concurso mais endiabrado da noite paraense está de volta devidamente equipado de humor, presentes e vergonha alheia!
Não tem jeito, a gente quer é sucesso! Depois de duas edições disputadas, polêmicas e de puro vexame alheio, estamos de volta com mais uma edição moderna, luxuosa e aerodinâmica do show de calouros mais cara-de-pau da noite de Belém. Terça-feira, 14, o palco do São Matheus fica sob as ordens de Randy Rodrigues, com dois violões, microfones e uma vibe paranormal. A novidade agora é que lentes de altíssima definição registrarão tudo. Se neguinho for corajoso e autorizar, a gente posta no Youtube a performance.
Mas não é apenas de balde de cerveja gelada que o melhor e o pior da noite se beneficiarão. Duas camisetas especiais da Ná Figueredo também estão no pacote. Tem que caprichar muito pra ser ruim e merecer. E a escolha do pior e melhor será feita pelo público, mas com a ajuda da Mesa dos Chatos, um júri cuidadosamente escolhido para analisar as performances dos participantes. Só não vale chorar (chamar a mãe pode, desde que ela seja jeitosinha).
Vale tudo! De música própria a Ultraje à Rigor, Camisa de Vênus, Calypso, Marco André, Baby Consuelo, Djavan, Motorhead e Danzig. Ensaie, afine, beba e participe. Faça da sua noite no São Matheus um capítulo importante na sua biografia, algo para ser lembrado na posteridade, pelos vizinhos, amigos, parentes. A vida é feita de vexames e vitórias.
Lembrando que antes e depois da graça tem os DJs Se Rasgum comandando a pista com muitos clássicos do rock, punk, indie, música brasileira e giriguidum pra carái.
SERVIÇO
Banquinho & Distorção Reloaded, terça-feira, 14, no São Matheus (Padre Eutíquio, 606). Entrada: Apenas 4 dinheiros.
Estamos por aí:
* Dia 14 de outubro, no ***São Matheus: Banquinho & Distorção + discotecagem
* Dia 17 de outubro, no Café com Arte: DJ Dolores (PE) + DJs Se Rasgum + Vinicius Cohen (Live PA)
* Dia 1º de novembro, na Mystical: Montage (CE) + DJs Se Rasgum & convidados
* Dia 15 de novembro, no African Bar: Leela (RJ) + banda local + DJs Se Rasgum & convidados.
***Toda terça-feira no Boteco São Matheus, sempre com discotecagem e programações.
Pagação de pau, cantadas desaforadas, pecados carnais e uma ressaca moral passível de ser controlada foram registradas pelas lentes de diversos fotógrafos durante o III Festival Se Rasgum. As fotos traduzem o espírito cagadeiro que faz do público de Belém reconhecidamente um dos mais fodas do Brasil - e isso é coisa séria - e as várias faces de um festival que se atreveu a diversificar para ficar ainda melhor.
Se quieres una boa fiesta con personas calibradas, endiabradas e borrachadas, tienes que vir para Lucha Libre, la deliberacion de la euforia. Es ahora, 3 de outubro, na Mystical.
Libertinagem, stage dives, cocotagem, roupa fashion, embriaguez, luxo, lixo e luxúria, tudo isso e muito mais na celebração mais louca do ano. A festa Lucha Libre traz os DJs da Se Rasgum no mesmo ringue da Meachuta! para uma noite regada a música e diversão. O cenário é a instigante Mystical, que recebe todos os outsiders, modernetes, wannabes, a plebe a aristocracia paraense numa noite que percorre todos os caminhos da música moderna, desde o rock inglês dos anos 80 a mais nova onda européia, passando pela música brasileira e o rock camisa preta.
Nas pick ups os Mechutas Rods, Maurício e Yuri, e pela Se Rasgum Damaso, Gustavo e a dupla mais constrangedora desde Batman e Robin, DJ Bigode & Konsiderado. Quem assume o cargo de confiança de DJ convidado é Diogo Soares (Los Porongas) e Sammliz (Madame Saatan), que estará presente para a estréia de uma das mais esperadas polêmicas do ano: o videoclipe da música Vela. Mas isso aí você lê no próximo parágrafo.
Audiovisual
Ela estava precisando exibir seu videoclipe, mas não esperava que fosse contar com a ajuda de uma turminha pra lá de atrapalhada disposta a dar uma mãozinha. A Greenvision Produções apresenta seus novos videoclipes: Vela, do Madame Saatan, dirigido por Priscilla Brasil, e Detetive, do Ataque Fantasma, dirigido por Gustavo Godinho.
O clipe de Vela foi rodado durante a trasladação e procissão do Círio de 2007, resultando em um dos trabalhos mais impressionantes de toda a trajetória de videoclipes do Estado.
SERVIÇO
Lucha Libre, uma produção Meachuta!, Se Rasgum e Greenvision. DJs Se Rasgum e Meachuta. DJs convidados: Diogo Soares (Los Porongas) e Sammliz (Madame Saatan). Lançamento dos clipes de Vela, do Madame Saatan e Detetive, do Ataque Fantasma. Ingressos: 10 dinheiros com flyer.
Promoção de cerva: até meia-noie são cinco long necks por 10 pilas. Depois, quatro por 10.
Ainda não era uma hora da manhã e uma lágrima teimava em cair no meio da multidão (nem tanto assim) que estava no African Bar na noite de sábado passado. Pode parecer irreal, mas naquele exato momento eu me lembrava de um trecho do livro 31 Canções, de Nick Hornby. Ao comentar Pissing in a River, de Patti Smith, Nick escreve, em certo momento: “foi um daqueles raros momentos- milagrosos, no contexto de um show de rock- que o deixam grato pela música que você conhece, pela música que você ainda tem que ouvir, pelos livros que leu e vai ler, talvez até pela vida que você vive”. Eu me sentia exatamente assim, enquanto o quinteto sueco Shout out Louds tocava. Nunca ouvira sequer falar deles antes do Festival Se Rasgum, mas comecei a ficar desconfiado que iria gostar quando Rato Boy, o vocalista do Coletivo Rádio Cipó e mestre de cerimônias improvisado, anunciou: “se você gosta de The Cure, vai curtir o show dos suecos, de onde vem as melhores revistas de sacanagem do mundo”.
Vinte minutos depois eu estava encantado. Olhava para a japonesinha que, secundada pelo namorado, cantava a plenos pulmões todas as músicas do grupo. Nesse momento percebi mais uma vez a força da música pop. A mágica que é assistir a um de seus grupos favoritos tocar ali, na sua frente, aquele punhado de belas canções que talvez tivesse amainado tardes calorentas no quarto. Ou em qualquer outro lugar.
Não que o Shout out Louds seja espetacular, ou coisa do gênero. O vocalista tem um timbre absurdamente igual a Robert Smith, do Cure. E a sonoridade passeia amigavelmente entre Cure e New Order. Para mim, isso já seria suficiente, mas a vontade da banda e a competência e qualidade das canções foram ganhando o público aos poucos. Ao final todos estavam entregues.
Às duas da tarde eu estava na Belém-Brasília, voltando para casa após uma reportagem em Rondon do Pará. Não havia visto o primeiro dia do festival, que era de meu interesse maior. Mas me senti recompensado com a banda sueca, embora nem tanto por outras bandas que subiram ao palco na mesma noite.
E o que tem sido o festival Se Rasgum? Que clima ele possui e quais os caminhos a seguir? Phellipe Seabra, vocal e guitarra da Plebe Rude, que tocara na primeira noite, classificou o próprio show como um dos dez melhores de toda a trajetória da banda. À vontade, Seabra andava de um lado a outro, conversando com antigos fãs da Plebe e trocando informações com o pessoal do festival e com gente de outras bandas. Daniel, da Montage, dizia que o bom do festival foi a possibilidade de misturas. “Tem os fãs da Plebe, que são mais velhinhos, e tem o pessoal que gosta da gente, que é um povo mais adolescente. Misturar isso é muito bom, porque um acaba conhecendo o som do outro. É uma troca boa”, disse.
Montage havia sido a sensação da primeira noite do festival. Música eletrônica com atitude roqueira. Ah, a velha questão da atitude no palco, que tanta controvérsia rende em Belém…é curioso constatar que as bandas que mais surpreendem a cada ano no festival, são aquelas cuja postura de palco sempre traz algo mais que o trivial.
Em sua extrema organização e apurado senso de profissionalismo, o Se Rasgum tem refletido a cada ano o que seus organizadores ouvem no momento. Houve a fase indie-Jovem Guarda, por exemplo, com bandas muito parecidas entre si, as que emulavam de Strokes a Los Hermanos. Esse ano a tendência recaiu para o que, genericamente, pode se chamar de sambinha e molejo de branco.
O sempre sábio jornalista Tylon Maués vaticinou com correção o estilo de algumas bandas, enquanto presenciava o show da banda Do Amor (RJ). “É música para agradar mulher”. E o que seria isso? Um sambinha estilizado aqui, umas batidinhas eletrônicas ali, letras espertinhas acolá e uma tentativa de fazer um som balançado. Lembrei de um disco de blues de um guitarrista que baixei na internet. Como não havia nenhuma referência muito clara sobre quem era o artista e, como eu estava achando aquilo meio técnico demais, consultei um amigo expert em blues. “Ah, é blues de branco, já viu, né?”, sentenciou.
Foi um pouco isso. Talvez meu amigo dissesse naquele momento: “ah, é samba de branco. Já viu né?”. Do Amor, Manacá, Wado e Curumim talvez se enquadrem nessa definição genérica, cada um com suas respectivas diferenças. Do Amor flerta com carimbó, por exemplo. Lembrou uma experiência que vivi em Santarém Novo, quando o grupo paulista ‘A Barca’ foi até o município gravar bases dos grupos de carimbó de lá. Três dias depois mostraram o resultado aos moradores. Um deles disse, logo após ouvir a terceira música do grupo: “isso é carimbó?”.
Wado é considerado um dos grandes nomes dessa chamada nova vertente da música brasileira. Lembro do jornalista Vladimir Cunha mostrando um disco dele na redação de um jornal local, mais ou menos em 2000 ou 2001. No disco O Manifesto da Arte Periférica, que ouço nesse exato momento, ele canta “Ontem eu sambei”.Um samba de branco, claro, meio assim assado. Não à toa uma das músicas do disco chama-se ‘O Diluidor’. As mulheres gostaram. Arriscaram uns passos de dança. Saíram passos desajeitados, mas a culpa não é bem delas. Talvez Martinho da Vila, que sabe dançar e cantar samba, funcionasse mais.
A jornalista Tatiana Ferreira se vinga da frase de Tylon. Após a terceira música do Manacá, comenta: “se o outro era para agradar mulher, essa aí é para agradar homem”. Explica-se. A vocalista Letícia, mesmo grávida, é muito sensual no palco. Bonita, não canta tão bem assim, no entender de Tatiana. Lá no fundo concordo.
Curumim toca reggae, samba, funk. Olho ao redor e vejo os mesmos passos desajeitados entre o público. Uma menina imita os passos do funk carioca. E isso imediatamente me remete aos comentários quase unânimes: ‘ontem à noite, o DJ Maluquinho arrebentou’. Tecnobrega, entendem? Fico tentado a formar uma imagem mental onde as meninas, vestidas em seus modelitos indie se rasgam ao som da música que nasceu na periferia de Belém. Moro bem próximo ao Palmeiraço e nunca vi nenhuma delas indo a uma festa de aparelhagens. Será que é o efeito embalagem, como diz Pio Lobato? O guitarrista costuma afirmar que é só mudar a embalagem do produto que tudo se modifica. Aconteceu com a guitarrada e acontece também com o funk carioca e com o tecnobrega paraense. As barreiras se quebram, e isso é bom, embora tenda a achar que isso é mais devido ao modismo cult do que propriamente a um interesse genuíno pela sonoridade tecnobrega ou similar.
“Isso é música brasileira. Você precisa aprender a remexer os quadris”, me diz Marcelo Damaso, um dos organizadores do festival, como resposta a um comentário meu a respeito do show de uma das bandas. Além do duplo sentido da frase, algo meio sexual, penso que, para quem passou a infância ouvindo também discos de Martinho da Vila, Tim Maia e Clara Nunes, lembra perfeitamente das músicas da ‘pilantragem’ (Wilson Simonal, Trio Mocotó) tocando nas rádios e é apaixonado por MPB, a recomendação me soa estranha.
No palco menor, River Raid, lá de Recife, manda ver. O jornalista Elvis Rocha está próximo. Olha para mim num sinal de aprovação. Eu também fico positivamente impressionado. O vocalista canta bem, além de tudo.
Autoramas sobe ao palco. Meia hora atrás, Gabriel vocalista da banda, me diz que adora o clima de encontro e festa que reina no backstage de um festival. E o grupo sobe ao palco com vontade de fazer com que a festa se prolongue por mais tempo. A jornalista Márcia Carvalho passa perto de mim e grita: ‘agora é rock and roll de verdade’. E sai pulando ao lado do amigo Bina Jares. Bem na frente do palco, Tylon, Vlad Cunha, Dani, Aline Monteiro, Irna Cavalcante e Fabrício de Paula se esbaldam. Phillipe Seabra se aproxima e meio que entra na farra também.
Converso com a produtora Renée Chalu e ela me fala das dificuldades financeiras. Se a equação receita versus despesa se equilibrarem, já será uma vitória para o caixa do grupo. Mas o mais provável é que, financeiramente, o festival tenha dado prejuízo, embora artisticamente jamais se possa falar isso. Não há em Belém um festival que se aproxime da importância do Se Rasgum. E embora tenha havido um apoio do Governo do Estado, parece que ainda não se atentou para um detalhe básico. Sob todos os aspectos o festival é fundamental. O setor de turismo ganha, todos os setores de serviço ganham. E ganhamos nós, público, que só assim temos condições de apreciar, tecer comentários, se esbaldar, encontrar amigos, conhecer de perto artistas que admiramos e observar alguns dos rumos musicais que vêm sendo apontados no Brasil. “O festival tem um preço bacana, é criativo, o som está perfeito, os shows primam pela pontualidade, a equipe é super organizada. E a cerveja é gelada”, diz Pablo Capilé, que organiza festivais como o Calango, em Mato Grosso.